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Inclusão pode ser legado paralímpico!

Devemos nos orgulhar do fato de que a delegação brasileira possui mais de 300 atletas paralímpicos que disputaram cerca de 20 modalidades nos Jogos Rio2016. Nesse momento em que escrevo, já são 79 medalhas, 14 das quais de ouro. Nessas duas últimas semanas as pessoas com deficiências foram protagonistas. Em vários momentos a sociedade se interessou e aprendeu novos esportes ou como são feitas as adaptações (remoção de barreiras) para que essas pessoas compartilhem da vida social e demonstrem que também podem ser campeões. Realmente o Brasil pode mudar sua atitude daqui para frente graças aos Jogos Paralímpicos.

Segundo o Censo de 2010, o Brasil possui mais de 40 milhões de pessoas com deficiências que disputam oportunidades de inclusão na sociedade cotidianamente. Juntos com os nossos paratletas, pessoas com deficiências no Brasil ainda enfrentam desafios muito mais simples do que chegar a ser campeão em olimpíada, mas que tornam o dia a dia dessas pessoas e seus familiares um verdadeiro pentatlo moderno, ou uma maratona diária.

As barreiras de acesso são visíveis a todos e essa modalidade de competição” é fácil de ser notada pela sociedade – basta olhar em volta. Pense numa pessoa se deslocando na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, com cadeira de rodas, e uma prova de corrida com obstáculos torna-se quase banal. Agora imagine nas favelas onde vivem 22% da população total do Rio!

De um modo geral, deficientes visuais não contam com sinais sonoros para orientação; deficientes auditivos não dispõem de formas de comunicação alternativas. Da mesma forma, os deficientes intelectuais não encontram as adaptações necessárias para facilitar sua compreensão e interação social. O acesso a escolas regulares, um direito assegurado por Lei, ainda enfrenta muitas resistências. Quando se tornam jovens adultos, a vida das pessoas com deficiências fica ainda mais limitada devido a falta de oportunidades de trabalho e de opções de moradias, limitando sua autonomia e vida independente. Essas barreiras afastam as pessoas com algum tipo de comprometimento físico ou intelectual da sociedade.

Equivocadamente podemos pensar que eles perdem, coitados... Mas quem de fato perde é a sociedade. Uma sociedade que exclui pessoas com deficiências é uma sociedade pobre porque não se enriquece, nãé capaz de aprender com as diferenças.

Em 2014, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou 15 casos de boas práticas de empresas que incluem pessoas com deficiências em seus ambientes de trabalho. É comum encontrar relatos de que esse convívio humaniza o ambiente de trabalho, eleva a moral da equipe e, portanto, impacta positivamente o clima organizacional.

Os Jogos Paralímpicos certamente nos inspiraram, comoveram e nos fizeram refletir sobre o orgulho dos nossos campeões que, muitas vezes, não contam com o devido apoio apesar de seus exemplos de superação. Vamos aproveitar esta oportunidade para perceber o quanto podemos ganhar como sociedade incluindo, de fato, as pessoas com deficiências. Esse seria o maior legado. E acho que o Rio de Janeiro pode puxar esse cordão e contagiar a todos.


FOTO: TÂNIA RÊGO/ AGÊNCIA BRASIL

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